Que veículo poderia ser mais promissor para a mobilidade urbana?

A escolha das pessoas pela bicicleta é uma ação de sabedoria. Quando se pensa em mobilidade por bicicleta, afeta-se tanto as pessoas que pedalam quanto as que ainda não, e usam, consequentemente, o automóvel para tal feito. É um caso daqueles que Vandré cantou: “…quem sabe faz a hora, não espera acontecer…”.

Ainda que se trate de um veículo, a vida na bicicleta é a experiência de sociabilidade e coletividade do século XXI, a qual se coloca contrária ao egoísmo universalista do automóvel, o que está claramente presente nas propagandas de televisão no mercado, onde há a plantio de segregação, inveja, egoísmo, luxúria e individualismo, andando na contramão da
mobilidade sustentável almejada.

Quando o assunto é compatibilidade, podemos ver a bicicleta em sua dimensão de veículo, a fim de entender o quão significativa é esta associação entre pessoas, cidade e bicicleta. De todos os veículos que se elevaram à categoria de meios de transporte, a bicicleta é a que
está mais perto da dimensão do pedestre, seja pela posição de pedalar, pela velocidade ou volume de espaço ocupado.

MUDANÇA DE HÁBITOS E BENEFÍCIOS DIVERSOS

Getúlio Ramos, 53 anos, é fiel à bicicleta. Há 4 anos, decidiu trocar o ônibus (seu transporte diário) para uma Caloi. “Todos os dias eu pegava quatro, cinco ônibus para realizar meus compromissos pela cidade. Além de estar sempre lotado e ter um enorme custo, é desnecessário usá-lo para tudo. Minha visão foi além: quis conhecer de verdade a cidade em que eu morava”, comenta.
Para Getúlio, usar a bicicleta como transporte diário é ter a consciência de que todos somos capazes de contribuir com a preservação do planeta. “É fácil querer mudanças no meio ambiente e na sociedade, sendo que não permitimos uma mudança em nós. Passar o dia utilizando o veículo para se locomover e, como hobby, passear após o expediente, também é bom. Mas não é pensar em conjunto, pensar no próximo. Sei que todos os dias durmo com a consciência tranquila de que fiz minha parte. Estou na torcida para que mais pessoas enxerguem isso”, afirma.

A combinação cidade e bicicleta vai muito além dos benefícios individuais aos ciclistas (melhor saúde, melhoria da estima, bem-estar em alta, integração social, economia). Quando se tem em mente a medida do impacto das atividades humanas sobre as emissões e gases com quantidade de dióxido de carbono liberada na realização de cada atividade, a bike – como é chamada por seus usuários ativos – alcança proporções globais e significativas, principalmente por ser menos uma contribuinte de combustíveis fósseis em nosso planeta – e para fazê-la andar, basta estar com os pneus bem carregados de ar.

CIDADES E MOBILIDADES

Sergio Perini, aposentado, 76 anos, é um observador de Caxias do Sul. Já viu muitas mudanças na mobilidade e acredita que, para almejar uma sociedade que se locomova de bicicleta, é a cidade que deve estar preparada. “As cidades não estão preparadas para receber bicicletas. Tem que ter um investimento em ciclovias e asfaltamento, bem como pontos estratégicos e que ofereçam um serviço útil para o ciclista, como uma garagem para bicicletas, segura, cujas pessoas possam fazer a metade de seu trajeto de bike, e após, poder contar com o ônibus para seguir o caminho, o que já diminuirá muito o uso dos automóveis”.

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Ciclovias em Florianópolis. Créditos da foto: Jornal Ponto de Partida/Divulgação

..ENFIM, BIKE OU CARRO?

Quando falamos em sustentabilidade, falamos em humanização do desenvolvimento humano. Uma invenção tão fantástica quanto a bicicleta promove uma das mais democráticas formas de humanizar o fazer humano (entenda-se: os deslocamentos, a produção cultural, a integração social, a qualificação econômica, etc). O modelo vigente de consumo baseado no automóvel, garante a insustentabilidade do próprio modelo e a
imobilidade posta nas cidades de qualquer tamanho. Já a escolha pela bicicleta garante a crescente onda de bem-estar que possibilita as transformações sociais tão bem-vindas em nosso espaço urbano.

Que segredo era este, tão bem guardado em nossa infância, que agora, nos traz respostas mais do que suficientes para as atuais e futuras problemáticas socioeconômicas e socioambientais?

Voltando a pergunta da linha de apoio desta reportagem, se a sua resposta, assim como a minha, for a bicicleta, fechamos esta leitura de acordo e com um sorriso consciente de quem pedala e faz sua parte para um desenvolvimento sustentável e filantropo. 

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Universidade de Caxias do Sul  lotada de veículos que, na maioria das vezes, transporta um ou dois passageiros. Créditos da foto: Arquivo Pessoal
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