Quando escolhi o tema procrastinação como pauta desta webreportagem que você está lendo, eu sabia que iria deixar para escrevê-la no último dia possível e essa ironia anunciada é uma merda. 

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Lancei essa pergunta no meu perfil no Facebook e as respostas estão no decorrer do texto. Imagem: Aquivo pessol

Em uma leitura cada vez mais singular em meus finais de semana, acabei me deparando com assuntos relacionados ao tema procrastinação: bloqueio criativo, ideias, autossabotagem e perfeccionismo (os mais identificáveis). Para discorrer sobre a procrastinação, eis que irei dividí-los nesses quatro assuntos.

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Depende do ponto de vista, né?!

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Imaginemos a situação “perfeita” (mesmo sendo uma projeção, aspas são necessárias) em que você tem todo o tempo do mundo para ter aquela ideia “descaralhante” para resolver uma tarefa importante.

Esse cenário lhe inspira favorável, pois a conta é simples, com tempo de sobra a tarefa importante pode ser adiada, permitindo mais tempo ainda para resolvê-la, e isso é importante. Enquanto isso, você ganha tempo de sobra para fazer outras coisas (isso também é importante) que, no momento, lhe parecem mais importantes.

A repetição da palavra importante não foi a toa, pois é isso que acontece na sua cabeça frente a tal situação: o aviso constante de que tudo é mais importante que a tarefa que você precisa executar (esta, de fato, realmente importante).

Esta difícil situação de ser explicada acaba por servir de desculpa para o bloqueio criativo, porém não serei tão cético de que somente isto ocasione o bloqueio de sua fonte de ideia, afinal é de conhecimento de que outros fatores interferem nessa jornada entre seus neurônios.

O bloqueio pode ser entendido como um mecanismo que filtra sua criação, para que daí surja algo de valor. Ou na maioria do casos é a sua consciência sussurrando: “esta ideia não é boa”. Até aqui, foram estas palavras que escutei enquanto digitava estas palavras.

Mas a minha tática para vencer esse bloqueio é construir uma pilha de “ideias meia boca”. Quando mais aumento essa pilha, mais perto de transbordar o bloqueio eu fico. Para te ajudar com isso, leia um texto que te ensina como ultrapassar seus bloqueios criativos e as estratégias dos criadores.

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Foi direto no coração 😥

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Neste momento, após escrever estes parágrafos, fico tentado parar e dar uma conferida no Facebook. Sim, eu fiz isso mesmo e as ideias fazem parte disso.

“Muita da minha essência procrastinadora parte de não me privar do prazer ante a obrigação. Muito do meu insucesso em algumas atividades e projeto parte desse comportamento.

Muito do meu sucesso parte de dosar um pouco de prazer aos compromissos.

Muito de tudo isso poderia ser o começo de uma poesia.

Muito de nada é nada de muito.

Muito é muito.

Nada é nada.”

Ok, sabemos que essa poesia ou verso não é nada lírico, mas é a semente inicial de uma poesia. Ideias vão sempre ser ideias e a dimensão assertiva delas é a maturação, pois dificilmente aquela ideia ‘pica das galáxias’ vai surgir de primeira.

A relação da procrastinação com as ideias é duplamente desproporcional: você pode procrastinar pois ainda não teve aquela puta ideia ou porque você teve tantas ideias que fica difícil escolher qual é a ‘puta ideia’.

A grande sacada em relação às ideias é não deixar o momento de inspiração passar. Já existem muitos apps e meios para que você não passe por uma situação semelhante a que eu enfrento neste momento. Até o começo deste parágrafo, eu escrevi este texto numa tacada só e parei exatamente por uma semana e não me recordo de como havia estruturado o restante do texto na minha mente. Irônico, novamente.

Enfim, a fonte de ideias está na livre associação. Na livre associação de praticamente tudo que você pensar sem nenhuma restrição, mas claro sem deixar de filtrar e lapidar o resultado dessas associações. Um bom exemplo de como este procedimento de associação dá resultado é a relação dos cartunistas e seus cartoons.

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Quem disser que não tá mentindo.

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É aqui que o ato de procrastinar torna-se mais psicológico. Não que minha pretensão seja dar uma de psicólogo de boteco (porém, sim), mas é um “sintoma” que influencia na inclinação de procrastinar.

Dado as situações e compromissos naturais a que a convivência em sociedade e até mesmo, de si consigo mesmo propõe, em alguns casos a autossabotagem torna-se um refugio ao comodismo e medo de arriscar. Um termo interessante de se ressaltar é status quo que significa, de longe, o estado atual das coisas.

Ou seja, a autossabotagem na verdade é um procedimento defensivo da sua mente, tentando manter as coisas como estão por receio do que há por vir. Tão lírico que soa poético, né? Pois bem, procrastinar está altamente ligado a isso já que enquanto você adia alguma tarefa, compromisso ou seja lá o que for, você mantém o estado normal das coisas.

Este texto aqui explica o que é esse processo e também como superá-lo. Este “defesa” mental – a autossabotagem – esteve atuante em todo o processo de construção desse texto, como já citei também nos tópicos anteriores. Reconhecer quando a autossabotagem diz olá é fácil, o difícil mesmo é sabotar a autossabotagem.

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Muleke liso.

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Por que este tema é o último?

Não é a toa. O perfeccionismo é a conjuntura dos outros três temas. É o filho de uma suruba pseudomental. Todo mundo tem ideias, projetos, vontades e estímulos diferentes, mas se tem algo que consegue destruir tudo isso é o perfeccionismo. Ele é o ponto que liga a queda de produtividade e, advinha qual é um dos efeitos que induzem a procrastinação? A necessidade de ser perfeito.

Quando buscamos preparar a base para o início de alguma atividade (seja ela física ou mental), é normal ir em busca de informações e situações que auxiliem para que o resultado final seja bom. Não, bom não. Ótimo. Ótimo é algo antes do perfeito. Tá, queremos que tudo saia perfeito.

Brincadeiras a parte, a necessidade de aprovação é um potencializador do perfeccionismo.Faça um exercício mental: se questione quantas vezes você ficou insegurx sobre algo perante o julgamento de outras pessoas? Eu sei as respostas e não foi uma vez, nem duas. Pois é aqui que a falta ideia de perfeição nasce.

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Quem nunca faço.

Ela passa a se desenvolver quando tentamos agradar a todos e esquecemos de focar no real objetivo: sair do papel, do “quase” e ir para a prática, para o concreto, o mundo real. Se pesquisarmos por aí, temos inúmeras referências de pessoas que são perfeccionistas obstinadas e que podem até ter alcançado seus objetivos, não é?

Mas pense agora no esforço mental que estas pessoas sofreram e em seus desdobramentos. Não que ter um certo cuidado e pesquisar antes de colocar algo em prática faça mal, mas em demasia, faz sim. Muito. Um exemplinho rápido: Steve Job. Não convivi com ele, e mesmo os filmes e biografias saõ um pouco tendenciosos, o ‘gênico’ por trás da Apple certamente revolucionou o mundo ao custo que foi taxado de intolerante e outros adjetivos pejorativos.

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Didáticamente assertivo.

Ele poderia até estar c***ndo pra isso, mas vivemos em sociedade e alcançar o sucesso ao preço de desenvolver hábitos desagradáveis não me parece um gran finale. É mais ou menos como subir ao pódio sem ter aproveitado a corrida. Mude. Para ajudar, mais uma baita leitura neste link.

Todo o processo de construção desse texto foi um processo procrastinatório (não sei se essa palavra existe) e isso não é nada bom. Mas, chegado o fim e alguns (vários) dias desde que iniciei, o sentimento é de um misto de frustração e objetivo cumprido. Difícil de entender, difícil de explicar. Sinônimo de procrastinação.

Este mini relato pessoal do procrastinados e manual contra a procrastinação pode até se um amontoado de devaneios, ter deixado o caráter webjornalístico de lado, carecido de fontes, porém é sincero.

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